As qualidades essenciais de um gestor de recursos humanos

Atualmente, o mundo empresarial é extremamente competitivo, global e rápido. Numa altura de instabilidade económica, as empresas precisam de apostar no talento das pessoas para garantir um alto nível de competitividade e inovação relativamente aos seus concorrentes. Por isso mesmo, cada vez mais é fulcral uma boa Gestão de Recursos Humanos, entendida como a capacidade de encontrar soluções que maximizam o retorno da organização, através da gestão efetiva do capital humano. Impõe-se, pois, saber quais as qualidades essenciais de um gestor de recursos humanos. Eis um elenco de possibilidades:

1. A primeira qualidade é a competência técnica. Um gestor de recursos humanos deve saber gestão de recursos humanos, isto é, deve estar familiarizado com o conhecimento profissional mais avançado e suportado em investigação empírica. Sabe-se que nem sempre assim acontece. Os gestores de RH podem ser como os treinadores de bancada: todos sabemos como gerir pessoas. Afinal todos somos pessoas. Certo? Não: errado. No Manual de gestão de pessoas e do capital humano (ed. Sílabo) apresentamos um questionário que testa o conhecimento sobre a matéria. Fica o desafio.

2. O gestor de recursos humanos tem de expressar qualidades interpessoais. Tem de “gostar de pessoas”. Um gestor de RH que não gosta de pessoas é como um chef que não gosta de comida. Tratará as pessoas, inevitavelmente, como… recursos humanos.

3. Gostar de pessoas significa: (1) oferecer um sentido de apoio organizacional inequívoco combinado com (2) desafio e crescimento, rigor e exigência. Um gestor de RH não é um assistente social nem um psicólogo: é um gestor.

4. Deve revelar qualidades estratégicas, isto é, tem de liderar a organização – e não apenas na organização.

5. Deve ser capaz de adquirir competências que lhe permitam gerir outras áreas da organização – isto é, não deve estar preso à função pessoal.

6. Deve criar organizações genuinamente meritocráticas. Neste domínio a gestão de recursos humanos é crítica. Sem sistemas de gestão de desempenho justos e discriminantes, a gestão de recursos humanos falha uma das suas funções essenciais.

7. A criação de organizações meritocráticas significa que o gestor de recursos humanos é idealmente um gestor capaz de ser duro e macio. Nem mais, nem menos.

 

Por Miguel Pina e Cunha, Professor do The Lisbon MBA

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